salta ainda mais alto
canta baixinho
corre de um lado para o outro
brinca aqui e ali com ela e com o outro
olha-me e vê-te
abraça-te e a mim
puxa e empurra-nos
bebe e come o que houver naquela mesa
dança toda a noite
quieto no sempre de nunca estar, surge só no fundo da colina... calado aparece e esconde-se... e só assim nos apercebemos da sua presença...
Como podem reparar, eu nunca estou nas fotografias, pelo que me vejo sempre forçada a recorrer a outros meios para me 'adicionar' à FAMÍLIA! [=D]AHHHHHHH!!! NÃO QUEROOOOO!!!
Mas, não posso fugir da realidade, pelo que, aqui estou eu a tentar não rir enquanto as duas Senhoras da minha família choram ao meu lado…
“Ai que lindo!”, diz uma.
“Ai ele canta tão bem!”, contempla a outra.
“Deprimente!”, resmungo eu, mas apenas em pensamento, pois não quero levar um estalo nem de um lado nem do outro.
E pronto... aqui presa ao sofá pelo tão famigerado espírito natalício, delicio-me a ver as gordas aos saltos, as magras com penteados de há cinquenta anos atrás e os maridos amuados por estarem naquele festim de senhoras histéricas. Lindo não é? Eu sei, nem precisam de se pronunciar sobre o meu grandioso serão...
No final [e ainda bem que todos os momentos maus têm um fim], uma das Senhoras perguntou-me: “o que estás tu a fazer aí agarrada ao computador? Não estás a ver o Tony???”
Como eu não minto, respondi: “N-Ã-O! Estou a exorcizar o meu desespero interior, escrevendo um pequeno texto [pensava eu que ia ficar pequeno] para o meu blog!”
“Ai é?! Então e o que estás a escrever?”
Eu não queria, mas ela perguntou e eu li-lhes este MESMO post!
(…)
Neste momento estou em período de convalescença, resultado da incompreensão da minha sinceridade, por parte da Senhora que estava sentada mais perto de mim. Assim, permaneço no sofá, não presa pelo espírito natalício, mas por uma impossibilidade física, especificamente, pelo pontapé que levei e que me inviabilisou a marcha. Deste modo, vou continuar o meu serão no sofá a passar uma pomadinha na minha perna esquerda que ganhou uma nova tonalidade - uma corzinha arroxeada -, mas agora sem cantores pimba e fãs ainda mais pimba, a atormentarem a visão e o espírito.
Moral da [LONGA] história: ainda dizem que com a idade vamos ficando mais fraquinhos?! É mentira, porque segundo o exemplo da minha avó, não se nota nada!!! Assim, não se deixem enganar pelos cabelos brancos, pelas rugas, pelo cambalear, pelas eventuais bengalas, etc etc etc …
necessários, e a marcação de novas consultas para o médico poder analisar" (João Paço, 2006). Mas, Manuel Delgado referia-se a outro ponto: "Toda a passagem do doente pelo hospital poderia ser gerida de outra forma - não pelo médico - mas pela instituição em si, evitando casos em que o doente fica internado mais dois ou três dias à espera que o clínico regresse de férias para assinar a sua alta. Miguel Gouveia propõe, portanto, a criação de um gestor de camas que organizaria os tempos de internamento." "Um carniceiro que acaba de esquartejar uma vaca. Seria mais ou menos esta a imagem que teríamos de um cirurgião ao sair de uma mesa de operações, se vestisse uma bata branca em vez de uma verde. Imagine o efeito que teria sobre os familiares do paciente e os outros enfermos... A preferência pelo tom verde faz-nos recuar aos tempos da II Guerra Mundial. Em 1941, um médico cujo o nome não ficou para a história, decidiu reuzir esse impacto terrivel sobre os seus companheiros, confeccionando uma bata com efeito corrector das tonalidades. Elegeu assim o verde, que neutraliza a cor vermelha do sangue, convertendo-o em manchas escuras indeterminadas, muito mais fáceis de suportar visualmente. Para além disso, esta cor permite descansar mais a vista. No final da Guerra, o novo modelo foi adopado pela comunidade médica. Prevaleceu assim o verde, apesar de uma variante mais clara do que a original usada durante os confrontos."
"No fundo do cartaz, está uma concha Nautilus... Na verdade, encontramos conchas em todos os ambientes (florestas, rios, lagos), de todas as formas, nas artes, assim como estilizadas em muitos símbolos. A concha do Nautilus, para além de ter dado nome ao submarino das "Vinte mil léguas submarinas", de Júlio Verne, terá provocado algumas noites de insónia a Einstein, pois nesta concha existe mais do que parece... Salientaria três coisas: (1) o crescimento em espiral logarítmica, ou seja, conforme o nautilus vai crescendo, passa de uma câmara para outra, mas de forma isométrica – ou seja, as câmaras aumentam de tamanho, mantendo a forma invariável. Portanto, o nautilus constrói a sua casa e, à medida que cresce, vai construindo um novo compartimento. Este aumento das câmaras é proporcional ao raio da concha, numa espiral logarítmica, pois cada compartimento é maior que o anterior, numa mesma proporção, que é de oito. A espiral logarítmica que rege o crescimento da concha é a mesma que Descartes demonstrou em 1638, dizendo ter encontrado o modelo de crescimento contínuo sem modificação de estrutura; (2) o nautilus é o único cefalópode com concha externa, apesar de ser da família dos cefalópodes (como o polvo ou a lula), e, nisto, constitui uma excepção na família; (3) a concha, em forma de espiral, tem várias câmaras que estão separadas por uma espécie de tabique, mas que comunicam entre si, por meio de um canal, o que permite o controlo da pressão no interior da concha e de um mecanismo de flutuação. Portanto, dirigir-se e manter a estabilidade."



Recordas-te de quando aguardavamos impacientes os fins-de-semana que vinham depois dos cinco dias de escola?
Esquece: parvoíce a minha!...
Hoje quando te vejo não te
reconheço. Passou muito tempo. As conversas que tentamos ter agora, sabem-me a
muito pouco, quando não a nada. Digo tudo isto com pena, sentimento que abomino,
mas do qual não me consigo abster. Falo-te, porque sim, porque entre nós não
existem apenas duas pessoas, existe uma vida partilhada pelos nossos, onde tu e
eu não podemos fugir ou ignorar. Talvez por isso ainda te encontre. Talvez por
isso ainda te inclua no meu grupo de amigos. Ou talvez, porque eu afinal não
tenha desistido por completo, de que um dia tudo o que foi, possa ser respeitado num
presente próximo ou num futuro longínquo. Talvez, quem sabe…Mas que fique bem claro: eu já não
luto por nada, não procuro nada em nós. Cansei-me e entreguei à vida o nosso
passado embrulhado em lágrimas que juntei e guardei (como fiz com todos os
brinquedos que me faziam lembrar de ti e de nós).Não nego que foi bom, mas repito claramente: foi.

O vento soprava entre as cores da montanha. Ali, tu e eu partilhámos palavras repletas de tudo o que tínhamos vivido, até nos recolhermos naquela, nesta colina. Foi aqui que decidimos recomeçar uma nova história, a última que perdurará no tempo.

Estava no outro dia a olhar para as paredes do meu quarto e reparei que, para além de umas rachaduras, havia uma imensidão de coisas que elas podiam contar a quem se dispusesse a ouvi-las. Pensei no quanto isso seria inquietante e de imediato, no meu quarto, deitada na minha cama, senti-me insegura e vulnerável aos caprichos de quatro muros brancos que julgava protegerem cegamente o meu canto. Foram lágrimas e sorrisos, gargalhadas e saltos, desvendei-lhes sempre tudo! Questiono-me agora como pude mostrar-lhes o fundo das minhas gavetas, como pude dar-lhes a minha alma nua? Que imaturidade a minha. Foi então que tomei atitude de crescida: tentei torná-las amigas, colocá-las do meu e só do meu lado, conquistar a sua confiança e incondicionalidade. Chantagens que se aprendem e cujos resultados não são garantidos. Daí desconhecer se consegui ou não calar as suas bocas mudas, mas o alívio conseguiu instalar-se de novo em mim, pelo menos até adormecer e sonhar novamente que neste quarto escuro onde agora viajo, não estou só, mas antes acompanhada de entidades que se camuflam por aqui e ali.