sábado, julho 15, 2006

"eu não penso sempre nisto... mas às vezes!..."

o que eu acho, é que antes doía mais. Antes a situação assemelhava-se a uma ferida que se ia abrindo lentamente, testando as nossas capacidades de adaptação aquela nova condição multidimensional. Eram notórias as reacções díspares que uns e outros manifestavam: com mais medo ou sem mostrarem fraqueza, tristes ou estranhamente contentes...passou-se!.. Este mal estar era ainda mais sufocante quando, através daquele espelho, víamos sorrisos, abraços, brincadeiras, choradeiras... um vida recheada de muitas coisas boas!...
Agora, encontramos vestigios de uma dor que se sentiu em tempos. Claro, que ao procurarmos no baú das memórias o que 'foi', não encontramos apenas sofrimento. Afinal, seria injusto espremer de uma fase da vida, um sumo amargo de uma fruta que julgo ter saciado tantos de nós. O que não posso negar e que, obviamente, se reflecte neste meu pensamento, é que sumo a que eu hoje tenho acesso, é o mesmo desde há muito tempo e, como a maioria dos produtos alimentares, degrada-se perde qualidade, deixando um sabor desagradavel na boca, pois, desde então, mais nenhum chegou perto, se quer, dos meus lábios.
Sem culpas, nem bodes espiatórios, afinal já não temos idade para isso, ficam só as 'dores' ou os seus vestígios e, também, a esperança que volte a nascer um outro fruto que queira ser partilhado por, e entre nós.
E sim, também concordo: houve muitas potencialidades desperdiçadas no mundo do que é e do que podia ter sido.

1 comentário:

Anónimo disse...

E o que escrever quando esta realidade se sente tão cravada na alma que um mero olhar melancólico em tantas alturas de nostalgia facilmente explicaria por si só? Hoje então isto bateu-me fundo... Até acho que aquilo foi uma citação...
Não me conformo... Não quero conformar-me... Não quero um bem estar hipócrita... Quero um bem estar. Não me importo de levantar mau estar em troca disso. Quero um bem estar. E o que mais toca é que ele está mesmo aí; mesmo aí ao alcance de uma mão semi-esticada... Eu consigo sonhar com ele. Mas não o consigo concretizar...
E assim se vão anestesiando sentidos... O sumo doce agora é tão raro ter sabor. Bastava espremer com um pouco mais de força, por favor. Eu sei que o fruto ainda não secou... Eu sei... Eu sei.

Eu sei.
Bruno