quarta-feira, setembro 16, 2009

Eu sei que não é uma questão de 'culpa'.

Quando o que resta é pouco, horas ou minutos. Quando a isto se chama 'o fim das coisas' ou de ti. Chamo assim, porque se acabam as possibilidades de se fazer diferente, as minhas possibilidades. Mas recordo-me de ti para crescer.

Quem queria, conheceu-te. E eu a ti, um pouco.

Comigo partilhaste em jeito de resumo, contos de uma vida dura, onde recordo o trabalho e a solidão de todos os teus dias. Dificil, suponho. Mas vivida com gosto e força, a mesma que nos deste a conhecer na hora de nos deixares. Todos assistimos a essa vontade de ficar naquela hora tão óbvia de ser o fim. Sim, todos sabiamos do fim, menos tu, mas não foi culpa tua.

Vou-te contar uma coisa, que gostava de te ter contado antes. Mas sei que não é tarde e que vais gostar de saber que se pode estar só e acompanhado de muitas maneiras diferentes. Esta é uma forma de perceberes quem esteve contigo ou quem te deixou sossegado na tua solidão amada.

Deixa-me, então fazer um exercicio contigo, agora que me consegues acompanhar, livre dessa cama que já não te prende, nem te faz doer a corpo.

Põe-te aqui ao meu lado, aqui mesmo aos pés desta cama, que agora é de 'outro', assim como foi tua. O que vês? Vês tudo, não ê? Vês o homem ou a mulher: a cabeça, o peito, os braços, as pernas (mesmo que cobertas pelo lençol e pelo cobertor).
Agora chega mais aqui perto. Vem para o lado da cama, chega-te mais para a cabeceira. Isso assim! E então, o que vês? Eu vejo
... as imperfeições do rosto. Aquela cicatriz que não sabes explicar à partida, mas que tens curiosidade e perguntas e ficas a saber de uma estória fantástica que te rouba 5 ridículos minutos do teu dia mas que te deixa horas a pensar.
... os olhos e as lágrimas que deslizam pelos cantos dos olhos em direcção ao cabelo.
... o cheiro que se é bom ou mau pouco importa, mas que sentes que é de uma pessoa igual a ti.
... a boca onde ouves os gemidos baixinhos, que me confunde porque nem sei se é da boca que vem o som ou do coração, ou do corpo todo.
Agora recorda o tempo em que o 'outro' que descansa nesta cama, eras tu. Quantos foram os que escolhiam os pés da cama e os que preferiam os lados da mesma? Quantos hesitaram e escolheram os pés e os que hesitaram e escolheram os lados. E ainda aqueles que nunca quiseram escolher e ficaram atrás da cortina. Ou os que se ficaram pelo corredor e nem perceberam que podiam escolher.
Culpa tua e culpa minha. Minha porque também eu estive contigo e nunca lhes expliquei isto dos 'lados das camas'. Culpa tua porque nunca os chamas-te a ti. Talvez não o quisesses, pois estavas habituado demais a estar só. Tu e o teu rádio de antena e aquela estação de rádio e aquele volume certo.


Por tudo isto e outras coisas,

Obrigada.

domingo, abril 05, 2009

Ui, que bom!

E porque agora sabe bem o sol,
sabe bem a noite,
sabe bem o vento,
sabe bem a chuva que não há.

E porque agora sabe bem a música,
sabe bem rir,
sabe bem sair.

E porque agora também sabe bem dar-te a mão,
sabe bem estar contigo,
sabe bem ser-se alguma coisa.

e tudo sabe bem, mesmo muito bem.


Que tudo continue a saber-me tão bem ou ainda melhor!

domingo, março 08, 2009

tic tac tic tac

Sentado... Curvado sobre si, como se fosse grande o peso da idade que carrega sobre os seus ombros. Reflectem-se os anos não só na postura, como na pele clara, desbotada de tanto uso, de tanta vida que agora vai fugindo devagarinho a cada respiração. Sim, os teus pulmões estão cansados, tu estás cansado: as pernas falham, os braços falham, a voz falta-te, menos a cabeça e assim, te vais apercebendo de tudo.

"Antes ser a velha maluca que não se lembra de ter bebido o chá há 5minutos atrás!"

Pois, sorte a da velha e pouca a tua, porque ainda te vês, ainda te conheces apesar das diferenças. E agora apetece-te desistir, porque o corpo não anda bem há muito e a cabeça, boa ainda, já não quer ver e perceber mais nada.

Apresentas-te a mim: o nome e as vontades.

"Luís"
"Está-se a acabar" [o quê?]
"O tempo" ["de quê"]
"De vida"

Muito prazer Sr. Luís, o meu nome é Patrícia.

segunda-feira, março 02, 2009

Never stop

"O que é que acha que eu posso fazer por si?"
"Já é bom ter-me dado a oportunidade para estar aqui hoje."

If the road of success is too long, too rough and too hard
Think about how good you’ll feel when you achieve your dream.

sábado, fevereiro 28, 2009

A minha primeira vez

Não não foi assim... gostava! De facto não foi assim...


Mas esforcei-me para conseguir imitar desenhos corporais como estes:





(modestia à parte, esta última foi onde penso ter tido melhor desempenho!)


Gostei muito e, por isso, é para repetir!

Ganhei ainda mais motivação quando, na minha pesquisa por fotografias para postar aqui, me deparo com o conceito Couples Yoga.

GOSTO!!!

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

os Crescidos que moram Naquela casa grande...

... não gostam da 'sua nova' casa.


Pintem e decorem o conceito e realidade como entenderem. Procurem e inumerem todas as palavras que conhecem para definir esta 'nova casa'. Eu ajudo...

Lar, Residência, Casa de Repouso, Hotel para Idosos... mais? Acho que já me fiz entender...



A verdade é que a 'sua nova' casa...

De 'sua' pouco ou nada tem
e
quase todos a conhecem demasiado bem para se considerar como 'nova': a casa e "as pessoas que põem isto a mexer".

Não fosse tudo isto já conversa curriqueira em todo o lado, ora com mais ênfase sobre os próprios Crescidos ora sobre os seus Cuidadores Informais (...): hoje não me senti devidamente preparada.

Saí derrotada enquanto desempenhava o papel de receptor directo de mensagens vindas de Crescidos..., mas de Crescidos tão Crescidos, tão Crescidos que: Patrícia, só quando cresceres é que realmente entenderás...

"Eu estava bem era se estivesse na minha casa."

"O que é que eu estou aqui a fazer."

"Já não sirvo para nada."

"A sorte é que a minha filha me vem ver às vezes."

"Estou aqui presa"

"Estou à espera de quê? De morrer?"

"Sei que já não vou sair daqui."

Eu estava sentada num sofá novo, numa sala quase pintada de fresco de uma tonalidade quente da própria cor castanha, com o aquecimento central que deixava sós as mantinhas disponíveis nos assentos, com televisão ligada, com a fisioterapeuta de um lado, a massagista do outro, as empregadas do outro ainda e eu (acabada de chegar e cheia de vontade de Vos conhecer)...

...quando sinto que caí no chão magoáda por perceber nas poucas palavras e frases e lágrimas e apertos de mão e... Que agora também eu faço parte de um grande problema na vida daqueles Crescidos que, afinal, não queriam estar ali.

Acreditem que a minha intenção era a de dialogar, mas dei por mim a assistir a um monólogo com uma carga dramática fenomenal, conferido pela capacidade de reApresentação daqueles Crescidos, onde - O aplauso do público (eu) é uma ofensa.

Em suma:

"Não gosto de estar aqui." (e ponto final)

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Porque...

...foi um desafio,
...foi o primeiro,
...nos deu muito trabalho,
...aprendemos mais,
...ficámos muito felizes com o resultado

Apetece-me partilhá-lo.

Este foi um trabalho desenvolvido no âmbito do Curso de Licenciatura em Enfermagem, em que o seu valor acresce pela ousadia das suas autoras. Note-se que se trata de um tema desafiador, onde importa conjugar a originalidade de uma apresentação em sala, com a sensibilidade necessária para a abordagem de um tema complexo. Além disso, constituiu-se como uma aventura arriscada tendo em conta a inexperiência que as 4 tinham com a manipulação de um novo software de edição de video e imagem.

Antes do vídeo, a sua apresentação:
Título: Perda e Luto no Ciclo Maternal
Tema: Abordagem do processo de luto, tendo em conta as diversas perdas que podem ocorrer durante o ciclo maternal.
Alunas: Ana Patrícia Nunes, Ana Duarte, Andreia Martins, Joana Florindo; 6ºCLE, TA.
A quem se destina: Colegas de turma e docentes da Unidade Curricular de Enfermagem à Família.
Local: Escola Superior de Enfermagem Maria Fernanda Resende.
Objectivo: Apresentar aos colegas algumas vivências associadas a um processo de luto, assim como, a ideia da importância do enfermeiro no acompanhamento deste processo.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Humor

Em tempo de crise (porque agora está na moda contextualizar tudo à luz da crise) é frequente tentarem-nos passar a perna. Espectacular é conseguir traduzir esta mensagem com humor!
E porque não, desafiar também a igreja a desenvolver novas competências como: ria-se de si próprio! "Está comprovado científicamente" que rir acarrecta importantes benefícios para a saúde daqueles que se entregam ao 'rir à parva'. Mas neste sketch Bruno Nogueira e o "Chato" conseguem fazer-nos rir por um motivo concrecto! Digamos que não nos sentimos tão tolinhos...

(Agora que acabo de escrever isto, sinto-me como o Nuno Graciano a apresentar o 'não há crise', onde tem o grande papel de spoiler do programa... Da minha parte, peço desculpa, da dele nada acautelo, pois já é crescidinho e com certeza que saberá o que faz.)

domingo, fevereiro 22, 2009

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Aperta

e quase Esmaga... são forças externas que exigem das minhas, muita persistência.

O tempo vai passando lentamente, brincando com os dias e com as horas e com os meses... As pernas e os braços enfraquecem e a cabeça quase pára. O corpo funciona com os seus recursos mínimos como se estivesse a poupar energia para as próximas horas, dias e meses que não se avistam muito diferentes dos anteriores. É, portanto, necessário manter a máquina a funcionar, devagarinho, sem gastos desnecessários.

Por isso, invento e reinvento-me em tarefas e projectos que pouco andam, que pouco se mexem, que muito iludem, que poucos reconhecem.

Mas vou-me deixando ir, Vou-me deixando estar.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Mais uma entrevista

Fui - até Santarém...
Tentei - encontrar um emprego...
Lutei - vale a pena ir mesmo sem muitas certezas...

Resultado?

"Agora tem que esperar (o quê?)... Está muito difícil isto (está dramático)... Temos muita gente (desempregados) a concorrer, mas pode ser que sim (ou que não!)...
Veio de tão longe (e tome nota que este é factor de exclusão do lugar!)... Olhe, aproveite para conhecer Santarém! (...)"

[A (des)esperar...]

sábado, janeiro 17, 2009

porquê, quando, como, onde... escrever?

Porquê?
Para partilhar o peso interior com alguém ou com algo. Trata-se de uma prática contextualizada no domínio terapêutico, embora sem qualquer visibilidade científica, como tantas outras 'mezinhas' praticadas por todos nós. Mas que ninguém se incomode com isso, eu não me incomodo e 'sou das ciências', mas nunca me convenci da existência de uma única realidade comprovada, inquestionável, inabalável. Se resulta com outros ou não, um conselho: experimentem.
Na minha opinião, claro.


Quando?
Sempre que se é capaz de sentir, e por vezes acompanhado com a dor, o acto de pensar. Por exemplo, quando as actividades diárias se esgotam em palhaçadas que nos distraiem de nós e do mundo. À noite, quando sentimos o íman da almofada que faz saltar as ideias cá para fora; nem sempre é uma amiga, quando o que mais queremos é descansar.
Na minha opinião, claro.


Como?
A motivação será sempre o sentir, com ou sem um sentimento identificado. Obviamente que os sentimentos menos positivos são por excelência mais capazes do que os outros, isto porque, o peso é maior despoletando com maior eficácia a necessidade de o partilhar.
Na minha opinião, claro.


Onde?
Sempre com conforto na comunicação, seja papel e caneta, o tronco de uma árvore, uma pedra ou Aqui e agora...

Tudo isto, na minha opinião, claro.