domingo, janeiro 22, 2006

paixão e desejo


Olharam-se e assim começou uma história que de tão fugaz e intensa quase se conta em duas palavras: desejo e paixão… O amor não o consigo colocar aqui, tentei, mas fazê-lo seria ferir a sua alma.

Desde aquele dia, sempre que se viam, trocavam olhares derretidos, risos contagiantes, palavras de amizade e, posteriormente, de algo mais, numa cumplicidade que crescia e que ofuscava a razão e tudo o que o prendia às leis do bom senso. Sim, ele cegava a uma velocidade de criança dominada pelas promessas de doces a toda hora. Cegava e ensurdecia como nunca, ou melhor, como sempre, não é?

A cada passo dado, sentia o medo invadir-lhe o corpo e o pensamento, mas nunca o comportamento. Que firmeza, não?! A rapidez do envolvimento assustava-o, e a mim também… Foi confessado o quão insuportável era o peso desse medo, e daí a necessidade de o ter de partilhar com quem o ouvisse. E deram-lhe conselhos, muitos até! Disseram-lhe isto e aquilo: alguma vez pensaste na fiabilidade de cada palavra que te foi dita? Não, eu sei a resposta. Escapa-me no meu raciocinio, que amigos são esses afinal, que dizem saber tudo sobre coisa alguma?! Que audácia a deles em te apresentarem soluções, em te afirmarem barbaridades que, eu sei, aos teus olhos até faziam sentido, tal era o novelo de sentimentos em que estavas enrolado…

E ela acabou por te encostar à parede. Conseguiste fugir da primeira investida, mas não da segunda: que noite de loucura e prazer, que momento tão cheio do que nunca tiveste. Nunca, aquelas palavras dos que procuraste e ouviste, fizeram tanto sentido para ti, agradeceste-lhes ainda, enquanto predurava essa eufuria que te invadia o corpo. Foste corajoso e mantiveste em lugar escuro, o arrependimento... Mas era inevitável que ele viesse à superfície dar conta da sua existência, atendentdo ao desfecho desta história que comecei por caracterizar como intensa e fugaz. Ela fugiu-te e deixou-te só, no mesmo novelo onde te tinha ajudado a envolver até ficares preso, sem saída, pelo menos, por uma noite.

Foste presa fácil, mas não o tomes como uma crítica, é apenas uma justificação para o vazio que ficou dentro de ti, quando se desvaneceram no tempo as muitas promessas que ela te fez e em que tu acreditaste: maldita seja a inocência do Homem perdidamente apaixonado! E então aquela inesquecível noite que reflectia no teu rosto um sorriso invejável, deu lugar aos longos dias onde o choro vinha e ficava, às incertezas, ao desespero de ter sido ‘roubado’, à dor da paixão enganada, ao desejo de querer voltar a trás, à incredibilidade e aos porquês de ter acontecido assim e não de outra forma qualquer… Depois foi ver calarem-se os que tinham opinado certezas e perceber que quem procuravas agora eram os que menos querias ouvir antes…

Mas porque a razão está em lado nenhum, não tenho pretensões a tê-la do meu, nem tão pouco ouso em julgar quem quer que seja. Falo apenas do que me contaram, descrevo apenas como o senti.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Dina,

em resposta aos teus últimos comentários dos últimos dois posts [repetitivo não?], tenho a informar-te, primeiro quanto à D. Maria, que tal senhora, ainda se encontra a meu cuidado [coitada! lol]. Assim sendo, sinto-me à vontade para te garantir que daquela cama ainda não saiu, pelo que além de ainda não ter lido o meu post [belo post, aliás! agora para a D. Maria: Nem imagina o que está a perder!] continua sem casaco! Sim porque peles tem muitas e de GRAÇA [qual desconto de 50%...], afinal conta com 90 Primaveras em cima e feliz ou infelizmente [porque eu não quero entrar em discussões profundas sobre a beleza das rugas...] não pertence à geração dos peelings!
Pronto quanto a este assunto estamos conversadas.
Quanto ao esquema de ir para casa mais cedo! Ai desculpa, enganei-me. Reformulando: quanto ao esquema para suportar aquele cheiro de natureza nauseabunda, concordo plenamente contigo, é de facto uma excelente ideia! Aliás, vou já telefonar à Dii [que está agora a fazer tarde] para lhe dar as últimas soluções por ti apresentadas, e espero que lá para as 20h ela já esteja em casa e de preferência bem roxinha, pois isso indicará que a técnica-apneica foi realizada com sucesso!

Ai Dina Dina... :)

terça-feira, janeiro 17, 2006

A erupção do vulcão de *erda!

Confissões de uma estudante de enfermagem:



“…e quando ia para abrir a fralda ele «espeidorrosse» todo! E depois ainda se vira para mim e diz-me Ah, desculpe lá, mas era para ver se ainda saia alguma coisa e assim fazia já tudo… Ah como me apeteceu gritar: CALESSE HOMEM!!! EU NEM LHE PEDI SATISFAÇÕES!!!
Ainda agora não sei como me controlei. No meu interior borbulhavam sentimentos que se eu abrisse os meus lábios só sairia algo parecido com: seu porco nojentoooooo!!! Sabia que estamos na hora de almoço e que estão visitas lá fora???... Sabe que entre as muitas coisas que faltam neste hospital, não há Brise nem nada dessas soluções nebulizantes para aligeirar o fedor que se entranha no ar?!?! Só me apetece pôr-lhe uma rolha no cu para lhe ensinar os bons modos!!! AHHH QUE NERVOSSS!!!
Mas claro que o meu auto-controlo e paciência são conceituados, não é Tii? Por isso não disse nem fiz nada daquilo que havia ameaçado! Em vez disso eu ainda dirigi ao Sr. que momentos antes se tinha literalmente ‘cagado’ para mim (e desculpem-me o baixo nível mas não consigo arranjar palavras pomposas para descrever este episódio) as seguintes doces palavras: ah sim...esteja à vontade… (agora aqui para nós: mais cheiro menos cheiro, que diferença faz, não é?)
Estou traumatizada, Tii… não aguento tanta caca. E olhando para esta situação e outras semelhantes que me têm acontecido não sei por quanto tempo vou conseguir aguentar mudar tantas vezes de cor provocada pelos odores emitidos daquelas fraldas nojentas! Um dia ainda vou chegar a vias de facto e vomito-me mesmo para cima do doente ao mesmo tempo que ponho lá a mão para o limpar! Ai vomito, vomito!
Opah mas agora a sério, nem sabes como eu gostaria de me curar disto, mas não sei como o posso fazer!!! Snif… Talvez limpar mais cus? O que é que me dizes Tii?...”



Olha Dii eu nem sei o que te aconselhar, mas tive a pensar e acho que para COMEÇAR, no próximo turno podíamos apresentar-nos assim no serviço! Que me dizes? Posso encomendar já! Queres?

Que noite! [in estágio hospitalar]

“Patrícia, deita-te também e dorme um bocadinho…” E pronto, lá caí eu no engodo. Dormir??? Como dormir??? Estive desde as 3 da manhã até às 7 e não me lembro de ter conseguido dormir mais de 10min, que ainda por cima nem se podem dizer de qualidade!



Oh minhas caras colegas, onde têm a vossa cabeça? Vocês tencionavam mesmo ferrar o olho e dormir durante este tempo todo? (Tencionavam pois! Tanto tencionavam que dormiram profundamente! Pois, estava lá a ‘aluna’ para levantar o rabo do cadeirão sempre que fosse preciso! Suas exploradoras!!!)



Confesso que de início, até achei uma ideia muito aliciante, com aqueles cadeirões excepcionalmente confortáveis, os lençóis para aconchegar o corpito e as luzes todas apagadinhas: lindo! Pois era… muito fofo mesmo. Só que tinham-se esquecido que os monitores apitavam, que as minhas caras colegas ressonavam, que os doentes chamavam e que falavam durante o sono, sem contar com os que têm o ai ai pregado na mente e na ponta da língua (mesmo quando não há motivo aparente, apenas porque sim – deve ser para se embalarem, só pode) …!!! Entretanto ainda havia o medo que o coração daquela malta toda parasse de um momento para o outro. Sim! porque aquilo é uma unidade de cuidados semi-intensivos de patologias coronárias, onde é comum os doentes entrarem em paragem com alguma frequência! Mas esperem que ainda há mais coisas boas para podermos ter um soninho [muito pouco] descansado: os gritos de uma senhora que, coitada, queria sair dali! E como eu a compreendia. Juro-vos que estive para agarrar na senhora e bazar com ela dali, dado que era a nossa vontade, mas depois pensei: oh Ticha, depois ainda tens que passar pelos seguranças lá fora e aposto que eles iam desconfiar de levares debaixo do braço uma velhinha de 90 anos que ainda por cima estava nua! Seria qualquer coisa como:
- Enfermeira?! porque leva essa senhora que ainda por cima está... assim...a... nua?
- Esta senhora que vem comigo? Ah nós vamos as duas aos saldos! E como sabe nesta época não se aceitam trocas, por isso levo-a comigo para ela experimentar logo tudinho! Boa?


Agora para a D. Maria (nome fictício): Se por acaso estiver a ler isto (e eu tenho a certeza que sim!) fica aqui a minha promessa que quando for capaz de conter esses seus gritos histéricos do tirem-me daqui, eu levo-a comigo, para se ver livre daquelas noites infernais! Ai prometo, prometo.



Mas adivinhem!!! Aqueles 10min que referi ter dormido foram quando, foram quando? Foram imediatamente antes dos telemóveis das minhas caras colegas terem tocado com aqueles alarmes pirosos e irritantes uma e outra e outra e outra e outra vez! JIZ… que canseira!



E agora pergunto-me, não teria sido melhor a minha pessoa ter ficado de vigia a noite inteira, sem aqueles esforços sobre-humanos efectuados em vão durante horas para tentar descansar os olhinhos? Digo-vos: foi a primeira vez em que tentei dormir no turno da noite e não gostei nada (poderia dizer que era a última vez que o faria, mas isso seria imprudente, porque nunca se sabe se o nosso cansaço poderá algum dia ficar mudo a tanta barulheira).



Digamos que é a vida de enfermeira!
Mas deixemo-nos de divagações e bora lá trabalhar mais um bocadinho, agora aqui no aconchego do lar.



Já agora aproveito para fazer o que já deveria ter feito: desejar-vos a todos um bom estágio! *

segunda-feira, janeiro 16, 2006

A ti, que me conheces e não te mostras

Estava no outro dia a olhar para as paredes do meu quarto e reparei que, para além de umas rachaduras, havia uma imensidão de coisas que elas podiam contar a quem se dispusesse a ouvi-las. Pensei no quanto isso seria inquietante e de imediato, no meu quarto, deitada na minha cama, senti-me insegura e vulnerável aos caprichos de quatro muros brancos que julgava protegerem cegamente o meu canto. Foram lágrimas e sorrisos, gargalhadas e saltos, desvendei-lhes sempre tudo! Questiono-me agora como pude mostrar-lhes o fundo das minhas gavetas, como pude dar-lhes a minha alma nua? Que imaturidade a minha. Foi então que tomei atitude de crescida: tentei torná-las amigas, colocá-las do meu e só do meu lado, conquistar a sua confiança e incondicionalidade. Chantagens que se aprendem e cujos resultados não são garantidos. Daí desconhecer se consegui ou não calar as suas bocas mudas, mas o alívio conseguiu instalar-se de novo em mim, pelo menos até adormecer e sonhar novamente que neste quarto escuro onde agora viajo, não estou só, mas antes acompanhada de entidades que se camuflam por aqui e ali.

sábado, janeiro 14, 2006

'não está prescrito' é igual a 'não fazer' ?

(...)
- Porque é que não fazemos BMs? A Sra está sempre em hipogligémia é necessário vigiar não?
- Sim, mas os valores estão sempre assim, e como tem uma dextrose de 10%... Ah e os BMs nem estão prescritos, por isso nem temos nada que estar a fazê-los!
- Pois mas se a Sra morrer por hipoglicémia não será mau para a equipa de enfermagem? Eu acho que nós ainda conseguimos pensar, não?
(...)

"e as minhas coisas?"


... E às 23h ele (doente em fase terminal) confessou-me: "Enfermeira, não consigo dormir, estou preocupado, sabe? É que eu amahã vou sair do hospital e a minha patroa ainda não me trouxe a roupa."
(...)

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Sexta-feira 13

... e ainda dizem que é dia de azar! Então não?! =D

sábado, janeiro 07, 2006

Aquele livro que guardo no meio dos meus papéis...

(…) Fizeram promessas eleitorais para subirem a um lugar, que afinal nenhum deles estava preparado para assumir. As pernas fraquejaram, mas não era hora de se renderem. Tentaram adaptar as suas novas histórias aquele jeito infantil de serem, mas a realidade dos crescidos mostrou a sua força. Agora são Homem e Mulher num mundo tão confuso quanto os sentimentos que por eles foram partilhados. Homem e Mulher que se diziam felizes mas que trouxeram sempre consigo, aquela dor fingida em palavras escritas e dizeres afónicos.
Tiveram um dia, o sonho de se tornarem cegos, surdos e mudos, a essa incomoda sensação latejante que sentiam no peito, mas a vida cansou-os... (…)

Não sei o final da história… ainda não acabei de ler o 'livro'…

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Olho-te...


...mas nem sempre te vejo. Chega a ser mais fácil sentir-te, nem que seja a tua ausência...

Para pensar….


(...)
- A que horas é que ela morreu mesmo?
- O que é que isso importa? É para veres se podias ou não ter estado lá quando ela mais precisava de ti? Queres limpar a consciência, confirmando que essa tua ausência sempre presente é por completo justificável? Queres o quê afinal? Pedir-lhe desculpas? Confessar-lhe agora que já não está mais aqui para ouvir, que gostavas muito dela e o quanto querias estar lá para lhe enxugar as últimas lágrimas que sabias que caíam sem amparo?!...
- Mas ela estava na melhor casa de repouso, com tudo do melhor...
- ..."Com tudo do melhor..."?! Afinal que sabes tu? O que foi que aprendeste todos estes anos que viveste? Os 50 anos não te bastaram para crescer, continuas sem saber onde moras e para onde vais ainda. Pior: continuas sem encontrar caminho bom, para levares os que cuidas… se é que cuidas… Sabes, fico triste por ti... mas não mando na vida de ninguém, nem tão pouco sou estrela guia de pessoa alguma... Só sei de uma coisa, quero ver obra feita quando chegar aos 50, mas não só material, vou lutar sempre pelo equilíbrio: pelo meu e também dos que amo …
Acorda agora que ainda vais a tempo de abrir a janela e deixar entrar o sol que ainda brilha lá fora.
(...)

domingo, janeiro 01, 2006

primeiro 'primeiro post'...

Sim, é a primeira vez neste ano que nos encontramos aqui de na blogosfera... e sim, é o meu primeiro ‘primeiro post' e não sei o que vos escrever...

... Talvez encher chouriços: ontem à noite estive no Parque das Nações onde anunciavam a maior torre de fogo do mundo, mas na verdade foi uma ‘foleirada’ de pequenos fios de fogo, nada de muito espectacular, opinião partilhada e demonstrada pelos muitos assobios que se ouviram à minha volta, enfim... Além de mais uma lição, onde o ditado popular "nem tudo o que luz é ouro" se aplica perfeitamente, aprendi que a meia-noite não é à mesma hora em todo o país! Eu sempre pensei que partilhávamos, neste nosso cantinho, o mesmo fuso horário, mas NÃO: Almada está um bocadinho mais adiantada relativamente a Lisboa [ou Lisboa mais atrasada... :p]! O que nem é mau de todo, reparem que para quem mora na Margem Sul é muito bom, dado que fica com mais uns minutos para chegar ao emprego ou à escola! [Pormenores.] Depois de um fogo de artifício que deixou muito a desejar [“mas o que importa é que tenha sido durante 10minutos!” Eu não concordo. Sou mais apologista da qualidade, mas…], uma fila enorme para sair do Parque! Até foi engraçado porque deu para ver a como algumas das pessoas que se cruzavam com o meu carro, davam as boas vindas ao novo ano: uns bêbados, que cambaliavam e se arrastavam pelo passeio, alguns grupos de amigos em «animada cavaqueira», e uma grande distribuição de beijinhos e de abraços e de Desejos de muitas coisas boas para 2006!... [O tempinho que tivemos naquele pára-arranca ainda deu para eu rir e divertir-me com a minha companhia do banco de trás do carro, mas isso é outra história :))]

(...)

Hoje foi o almoço com a minha família, pelo que as minhas obrigações escolares ficaram um pouco para segundo/terceiro plano... Paciência. Agora que cheguei a casa e que já inventei tudo o que havia para 'magicar' para não me sentar a esta maldita secretária, tenho mesmo que continuar a estudar para as frequências que se avizinham e preparar-me psicologicamente para os próximos meses de muito trabalhito, com o novo estágio... Já anseio as férias!, estes dias em casa foram desgastantes, salvo outros [muito poucos] que foram uma importante fonte de motivação e de energia para minhas jornadas de estudo [obrigada meu Troll =D].

…Na continuação deste óptimo ano de 2005, espero que este que lhe segue tenha igualmente muita diversão, maluqueiras, risadas..., tudo na companhia da familia, dos meus amigos e colegas e do meu GAJO, claro!

Mais uma vez: BOM ANO para todos!