
Olharam-se e assim começou uma história que de tão fugaz e intensa quase se conta em duas palavras: desejo e paixão… O amor não o consigo colocar aqui, tentei, mas fazê-lo seria ferir a sua alma.
Desde aquele dia, sempre que se viam, trocavam olhares derretidos, risos contagiantes, palavras de amizade e, posteriormente, de algo mais, numa cumplicidade que crescia e que ofuscava a razão e tudo o que o prendia às leis do bom senso. Sim, ele cegava a uma velocidade de criança dominada pelas promessas de doces a toda hora. Cegava e ensurdecia como nunca, ou melhor, como sempre, não é?
A cada passo dado, sentia o medo invadir-lhe o corpo e o pensamento, mas nunca o comportamento. Que firmeza, não?! A rapidez do envolvimento assustava-o, e a mim também… Foi confessado o quão insuportável era o peso desse medo, e daí a necessidade de o ter de partilhar com quem o ouvisse. E deram-lhe conselhos, muitos até! Disseram-lhe isto e aquilo: alguma vez pensaste na fiabilidade de cada palavra que te foi dita? Não, eu sei a resposta. Escapa-me no meu raciocinio, que amigos são esses afinal, que dizem saber tudo sobre coisa alguma?! Que audácia a deles em te apresentarem soluções, em te afirmarem barbaridades que, eu sei, aos teus olhos até faziam sentido, tal era o novelo de sentimentos em que estavas enrolado…
E ela acabou por te encostar à parede. Conseguiste fugir da primeira investida, mas não da segunda: que noite de loucura e prazer, que momento tão cheio do que nunca tiveste. Nunca, aquelas palavras dos que procuraste e ouviste, fizeram tanto sentido para ti, agradeceste-lhes ainda, enquanto predurava essa eufuria que te invadia o corpo. Foste corajoso e mantiveste em lugar escuro, o arrependimento... Mas era inevitável que ele viesse à superfície dar conta da sua existência, atendentdo ao desfecho desta história que comecei por caracterizar como intensa e fugaz. Ela fugiu-te e deixou-te só, no mesmo novelo onde te tinha ajudado a envolver até ficares preso, sem saída, pelo menos, por uma noite.
Foste presa fácil, mas não o tomes como uma crítica, é apenas uma justificação para o vazio que ficou dentro de ti, quando se desvaneceram no tempo as muitas promessas que ela te fez e em que tu acreditaste: maldita seja a inocência do Homem perdidamente apaixonado! E então aquela inesquecível noite que reflectia no teu rosto um sorriso invejável, deu lugar aos longos dias onde o choro vinha e ficava, às incertezas, ao desespero de ter sido ‘roubado’, à dor da paixão enganada, ao desejo de querer voltar a trás, à incredibilidade e aos porquês de ter acontecido assim e não de outra forma qualquer… Depois foi ver calarem-se os que tinham opinado certezas e perceber que quem procuravas agora eram os que menos querias ouvir antes…
Mas porque a razão está em lado nenhum, não tenho pretensões a tê-la do meu, nem tão pouco ouso em julgar quem quer que seja. Falo apenas do que me contaram, descrevo apenas como o senti.


