terça-feira, março 28, 2006

50 61 72 61 20 6F 20 47 75 67 61 3A

51 75 65 72 6F 2D 74 65 20 6E 61 6D 6F 72 61 72 20 6D 75 69 74 6F 2E
41 6D 6F 2D 74 65 20 6E 6F 20 50 61 50 65 6C 20 65 20 61 6F 20 74 65 75 20 6F 75 76 69 64 6F 2C 20 6E 75 6D 20 74 6F 6D 20 62 61 69 78 69 6E 68 6F 2E 2E 2E
31 31 20 6D 65 73 65 73 20 6F 75 74 72 6F 73 20 74 61 6E 74 6F 73 20 71 75 65 20 76 69 72 61 6F 20 50 61 72 61 20 74 65 20 61 6D 61 72 2E
54 72 6F 6C 6C 6F 2D 74 65 20 62 75 65 73 21
54 69 69 2E

"Antes...

...mesmo um pouco irritada com as partidas que te fazia até me encontrares, conseguias dar-me um sorriso brilhante, assim que os nossos olhares se cruzavam no espaço. (…)"

E muitas vezes, quão grande era esse mesmo espaço. Assemelho esta capacidade de te descobrir na multidão, como uma habilidade inata que tenho (dado que não foi aprendida nem treinada) para sentir o teu chamar, mesmo que só depois de dar voltas e voltas sobre mim própria à procura de dois olhinhos semi-cerrados, te encontre finalmente. Mas acabo sempre por te 'topar', nem que seja atrás de mim quando me dás aquele abraço apertado ao mesmo tempo que dizes: “aqui”. (Sabes que muitas foram as vezes em que te encontrei algures, mas preferia ficar à espera desse abraço caloroso, que sabia que chegaria mais tarde ou mais cedo…)

Hoje, consegui pedir clemência aos pedidos ensurdecedores dos afazeres que se acumulam nesta secretária de onde te escrevo, isto porque quero dizer-te (de novo) que os sorrisos brilhantes continuam presentes em cada olhar que trocamos, a cada “olá” que dizemos, sempre que estás ou nas vezes em que te sinto. Sobre isso, nada mudou, mas percebo o que queres dizer…

Antes era só assim, agora é assim e muito mais do que isso. *

segunda-feira, março 27, 2006

V i a g e m A u t o c a r r o

Uns passavam por mim, outros empurravam-me. Tudo sem sentirem, sem verem, sem… mas eu sentia-o bem na pele, e também naqueles olhares. Queria sair dali, mas aquelas vidas aparentemente agitadas que voavam por aquele autocarro, envolviam-me na sua realidade feita também por mim. Em comum, encontro nelas o mesmo desejo e a mesma inviabilidade absoluta de o cumprir, pelo menos até à próxima paragem de destino: à minha e à delas. Mas hoje é daqueles dias em que tudo o que faz parte de mim por dentro, grita por silêncios, por nadas e por ‘ninguéns’. Sem efeito, como de costume.
Recorro à janela e perco-me no que os meus olhos se vão fixando aleatoriamente, num corre-corre de foca e torna a focar: ervinhas que crescem junto dos passeios, aquela árvore no meio daquele descampado, as marcas rodoviárias pintadas no pavimento e, por fim, os feitios divertidos das nuvens… Sim, ainda deu para sorrir por breves instantes e ficar feliz, afinal consegui sair dali, sair de mim: sair!
Mas as pessoas, sim porque hoje quero culpá-las a elas de tudo o que é mau e ruim, só me incomodavam: com o olhar, com o toque, com cheiro, com a voz, com a dor…
Finalmente sente-se a inércia que antecede mais uma paragem e um abrir das portas. O autocarro pára e saio ali. Corro para casa, porque hoje até as cócegas dos pinguinhos de chuva me irritam.
Suspiro e meto a chave à porta. Abro-a e recebo-ME de braços abertos na minha casa: “Que saudades Patrícia!...”.

domingo, março 26, 2006

Quando se cresce e se esquece

Brincadeiras inocentes, que com o tempo ganharam toques de crescidos e foi a partir desse salto para este novo mundo, que ele e ela se distanciaram. Nunca eles pensaram, que aquele rio lindíssimo que ambos adornaram com o melhor que tinham para dar, fosse desaguar numa poça de inverno.
Como era tudo tão perfeito, com tantas coisas partilhadas: gostos, curiosidades, brincadeiras, risos, sonhos. Na época que ela ainda recorda com saudade, era evidente o quão envolvidos estavam. De amigos a namorados, de brincadeiras a sonhos, tudo pensado e vivido em comum, com uma inimaginável intensidade de criança.
Recordas-te de quando aguardavamos impacientes os fins-de-semana que vinham depois dos cinco dias de escola?
Esquece: parvoíce a minha!...
Sim, sempre lhes foram garantidos os passeios, os dias de chuva em casa para brincarem, os almoços, os jantares e os lanches sempre juntos! Mas depois da sua meninice, onde o ‘tu’ e o ‘eu’ eram ‘nós’, veio a mudança: a dele e depois a dela. Ele, mais velho do que ela, precisou de espaço para crescer. Não soube conciliar a procura o novo com o velho mundo, e saíram ambos a perder. Ela, triste, deu-lhe o que ele queria e resignou-se ao vazio que se foi instalando, bem devagar, entre eles. Hoje, magoada, confessa que não dispensa essa mesma distância que ele construí-o e que lhe ensinou durante todos estes anos a manter.
Hoje quando te vejo não te
reconheço. Passou muito tempo. As conversas que tentamos ter agora, sabem-me a
muito pouco, quando não a nada. Digo tudo isto com pena, sentimento que abomino,
mas do qual não me consigo abster. Falo-te, porque sim, porque entre nós não
existem apenas duas pessoas, existe uma vida partilhada pelos nossos, onde tu e
eu não podemos fugir ou ignorar. Talvez por isso ainda te encontre. Talvez por
isso ainda te inclua no meu grupo de amigos. Ou talvez, porque eu afinal não
tenha desistido por completo, de que um dia tudo o que foi, possa ser respeitado num
presente próximo ou num futuro longínquo. Talvez, quem sabe…
Mas que fique bem claro: eu já não
luto por nada, não procuro nada em nós. Cansei-me e entreguei à vida o nosso
passado embrulhado em lágrimas que juntei e guardei (como fiz com todos os
brinquedos que me faziam lembrar de ti e de nós).
Não nego que foi bom, mas repito claramente: foi.

segunda-feira, março 06, 2006

quarta-feira, março 01, 2006