...ali está contemplando o sol de final de tarde, escutando o chilrar dos pássaros que meio apressados voam de árvore em árvore, rompendo qualquer calmaria que pudesse por ali se instalar... Nunca me parecera incomodado pelos sons de cada final de tarde. E fez sempre questão de no mesmo banco, por baixo da mesma árvore, aguardar a chegada de uma e de outra noite, que todos os dias chega diferente: com uma lua mais ou menos iluminada, com mais ou menos estrelas cintilantes no céu, com mais ou menos vento, com mais ou menos…
Mas hoje, hoje tudo está diferente por aqui: à primeira vista parece a mesma pintura de um mesmo jardim, que me habituei a observar, muitas das vezes de forma fugaz e aligeirada, mas ao olhar com mais cuidado... Pois é, ninguém me disse que ele lá estaria todos os dias... Ninguém mo disse, nem eu o pensei!
Supus, então, que talvez tivesse trocado de jardim, de banco, de árvore, de final de tarde… e que agora poderia estar a contemplar um qualquer novo lugar, um novo anoitecer, onde novas pessoas passam de uma forma apressada pelas realidades de outros com que se cruzam ontem, hoje e amanhã… Pessoas que só um dia irão abrandar o passo, irão parar e perguntar-se a si próprias o que se passará de diferente naquele banco de jardim…
Não sei se por vontade própria: ele mudou de jardim!… e eu? Eu parei finalmente.