domingo, dezembro 24, 2006

Serão de véspera de véspera de Natal

Existem momentos que nós fazemos de tudo para que não surjam na nossa vida, mas o curioso e fantástico do assunto é que eles acontecem e, por isso, chateiam. Aos desgraçados, restas-lhes esperar que o acontecimento passe depressa e que se apague rapidamente da memória recente, sem deixar vestígio na memória passada. Um destes momentos está agora a ser vivido por mim, portanto, considero-me uma desgraçada, como contextualizei há pouco. Sou-o e volto a reforçar a ideia, porque me sinto pessimamente por estar aqui sentada no sofá, com a mãe, a avó e a bela televisão ligada onde, um famoso cantor "super-hiper-mega" pimba, nos conta a história da sua vida que, segundo o próprio, é muito muito muito muito muito muito [acho que já chega] humilde!

AHHHHHHH!!! NÃO QUEROOOOO!!!

Mas, não posso fugir da realidade, pelo que, aqui estou eu a tentar não rir enquanto as duas Senhoras da minha família choram ao meu lado…

“Ai que lindo!”, diz uma.

“Ai ele canta tão bem!”, contempla a outra.

“Deprimente!”, resmungo eu, mas apenas em pensamento, pois não quero levar um estalo nem de um lado nem do outro.

E pronto... aqui presa ao sofá pelo tão famigerado espírito natalício, delicio-me a ver as gordas aos saltos, as magras com penteados de há cinquenta anos atrás e os maridos amuados por estarem naquele festim de senhoras histéricas. Lindo não é? Eu sei, nem precisam de se pronunciar sobre o meu grandioso serão...

No final [e ainda bem que todos os momentos maus têm um fim], uma das Senhoras perguntou-me: “o que estás tu a fazer aí agarrada ao computador? Não estás a ver o Tony???”

Como eu não minto, respondi: “N-Ã-O! Estou a exorcizar o meu desespero interior, escrevendo um pequeno texto [pensava eu que ia ficar pequeno] para o meu blog!”

“Ai é?! Então e o que estás a escrever?”

Eu não queria, mas ela perguntou e eu li-lhes este MESMO post!

(…)

Neste momento estou em período de convalescença, resultado da incompreensão da minha sinceridade, por parte da Senhora que estava sentada mais perto de mim. Assim, permaneço no sofá, não presa pelo espírito natalício, mas por uma impossibilidade física, especificamente, pelo pontapé que levei e que me inviabilisou a marcha. Deste modo, vou continuar o meu serão no sofá a passar uma pomadinha na minha perna esquerda que ganhou uma nova tonalidade - uma corzinha arroxeada -, mas agora sem cantores pimba e fãs ainda mais pimba, a atormentarem a visão e o espírito.

Moral da [LONGA] história: ainda dizem que com a idade vamos ficando mais fraquinhos?! É mentira, porque segundo o exemplo da minha avó, não se nota nada!!! Assim, não se deixem enganar pelos cabelos brancos, pelas rugas, pelo cambalear, pelas eventuais bengalas, etc etc etc …

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