segunda-feira, janeiro 16, 2006

A ti, que me conheces e não te mostras

Estava no outro dia a olhar para as paredes do meu quarto e reparei que, para além de umas rachaduras, havia uma imensidão de coisas que elas podiam contar a quem se dispusesse a ouvi-las. Pensei no quanto isso seria inquietante e de imediato, no meu quarto, deitada na minha cama, senti-me insegura e vulnerável aos caprichos de quatro muros brancos que julgava protegerem cegamente o meu canto. Foram lágrimas e sorrisos, gargalhadas e saltos, desvendei-lhes sempre tudo! Questiono-me agora como pude mostrar-lhes o fundo das minhas gavetas, como pude dar-lhes a minha alma nua? Que imaturidade a minha. Foi então que tomei atitude de crescida: tentei torná-las amigas, colocá-las do meu e só do meu lado, conquistar a sua confiança e incondicionalidade. Chantagens que se aprendem e cujos resultados não são garantidos. Daí desconhecer se consegui ou não calar as suas bocas mudas, mas o alívio conseguiu instalar-se de novo em mim, pelo menos até adormecer e sonhar novamente que neste quarto escuro onde agora viajo, não estou só, mas antes acompanhada de entidades que se camuflam por aqui e ali.

1 comentário:

Anónimo disse...

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