Brincadeiras inocentes, que com o tempo ganharam toques de crescidos e foi a partir desse salto para este novo mundo, que ele e ela se distanciaram. Nunca eles pensaram, que aquele rio lindíssimo que ambos adornaram com o melhor que tinham para dar, fosse desaguar numa poça de inverno.
Como era tudo tão perfeito, com tantas coisas partilhadas: gostos, curiosidades, brincadeiras, risos, sonhos. Na época que ela ainda recorda com saudade, era evidente o quão envolvidos estavam. De amigos a namorados, de brincadeiras a sonhos, tudo pensado e vivido em comum, com uma inimaginável intensidade de criança.
Recordas-te de quando aguardavamos impacientes os fins-de-semana que vinham depois dos cinco dias de escola?
Esquece: parvoíce a minha!...
Sim, sempre lhes foram garantidos os passeios, os dias de chuva em casa para brincarem, os almoços, os jantares e os lanches sempre juntos! Mas depois da sua meninice, onde o ‘tu’ e o ‘eu’ eram ‘nós’, veio a mudança: a dele e depois a dela. Ele, mais velho do que ela, precisou de espaço para crescer. Não soube conciliar a procura o novo com o velho mundo, e saíram ambos a perder. Ela, triste, deu-lhe o que ele queria e resignou-se ao vazio que se foi instalando, bem devagar, entre eles. Hoje, magoada, confessa que não dispensa essa mesma distância que ele construí-o e que lhe ensinou durante todos estes anos a manter.
Hoje quando te vejo não te
reconheço. Passou muito tempo. As conversas que tentamos ter agora, sabem-me a
muito pouco, quando não a nada. Digo tudo isto com pena, sentimento que abomino,
mas do qual não me consigo abster. Falo-te, porque sim, porque entre nós não
existem apenas duas pessoas, existe uma vida partilhada pelos nossos, onde tu e
eu não podemos fugir ou ignorar. Talvez por isso ainda te encontre. Talvez por
isso ainda te inclua no meu grupo de amigos. Ou talvez, porque eu afinal não
tenha desistido por completo, de que um dia tudo o que foi, possa ser respeitado num
presente próximo ou num futuro longínquo. Talvez, quem sabe…Mas que fique bem claro: eu já não
luto por nada, não procuro nada em nós. Cansei-me e entreguei à vida o nosso
passado embrulhado em lágrimas que juntei e guardei (como fiz com todos os
brinquedos que me faziam lembrar de ti e de nós).Não nego que foi bom, mas repito claramente: foi.
1 comentário:
Nice colors. Keep up the good work. thnx!
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