sábado, dezembro 03, 2005

Sonhos de uma candidata a ser Girafa!


Girafas! Muitas girafas! Eram pescoços grandes por toda a parte, tantos que, mesmo os que não via de imediato, apareciam logo depois, atrás de uma e de outra árvore, cheias de folhinhas verdes a transbordar por aquelas bocas compridas! Era vê-las felizes pelos pulinhos que davam nas curtas distâncias que separavam a vegetação deliciosa. Pulinhos acompanhados de sons encantadores e outros estridentes, que faziam daquele cenário algo mágico, feliz, uma festa! E eu? Eu tinha corpo de girafa!...



Dia de sol. Meio-dia. Acordo leve, com um sorriso ligeiro no rosto. Obviamente, que não se devia ao meu lindo aspecto com que acordo todas as manhãs, cuja caracterização de ‘cómico’ é puro eufemismo [poderia arranjar uma palavra mais ‘feia’, mas isso seria denegrir a minha própria imagem: impensável!] Ainda deitada e ensonada, e depois de uns minutos a fazer exercícios de extensão e flexão sequenciais [ou seja espreguiçar-me mesmo à grande], lembrei-me que tinha sonhado a noite toda. Sim, foi de facto um sonho! E lembro-me de tudo, curiosamente: recordo-me de ter corpo de girafa! Sim… tinha só o corpo de uma girafa, porque continuava a pensar e a agir como um Homem. Porque vejamos: o que interessava aquelas girafinhas saberem se têm muitas ou poucas folhas na boca, se podem ou não pular, se estão ou não a fazer muito barulho, se estão numa festa ou apenas a alimentar-se por uma mera necessidade biológica…?! O que importa isso tudo? Qual a necessidade de analisarmos a qualificarmos tudo e todos? Isto levanta uma outra questão: o que fazer quando não conseguimos colocar por palavras o que vemos e vivemos? Pois é: temos então um problema! Aliás eu acabo de arranjar mais um problema, dúvidas e questões sem resposta que me deixam inquieta, que me retiram o meu sorriso ténue da manhã…



Hoje quando adormecer e sonhar, quero SER girafa!

1 comentário:

Anónimo disse...

Really amazing! Useful information. All the best.
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