
10h. Tenho que me levantar. Mexer este corpo preguiçoso. Há tanta coisa para fazer. Acordada já estava há muito, mas o calor da roupa da cama não me deixava sair daquele aconchego. Do outro lado, uma mesa cheia de folhas aliciava-me com os seus saberes inscritos, mas sem efeito... Tenho os olhos a doer-me do sol que entra pelo meu quarto sem pedir licença. "Sol não achas que estás a abusar?" Mas ele nem me responde: como te odeio às vezes!... "Quem te deixou entrar afinal?" Olho à minha volta e ainda sinto o cheiro do seu perfume: "ah... foi a minha mãe..." Os pais são assim. Quando nascemos e ainda somos muito pequeninos, estão sempre lá para nos adormecer e acordar. Agora que já somos ‘crescidos’, pedem ao sol (e também à lua), para nos dar o beijinho de bom dia (e também de boa noite). Mas tenho que te dizer uma coisa Sol: gosto de ti e tu sabes disso, mas preferia a minha mãe... preferia o cheiro do seu perfume, as suas mãos (mesmo que frias), aquele gesto carinhoso no meu cabelo, mesmo que da sua boca só ouvisse “…tens de te levantar… Está na hora...”. Respondo-lhe quase sempre um “está bem” muito arrastado. Quando o que eu queria mesmo era perguntar-lhe: Mãe, podemos ficar aqui?...só assim, as duas…?*
2 comentários:
muito bonito! muito bonito mesmo!
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