segunda-feira, abril 30, 2007

“Estou farta de ti! Não te suporto, nem as tuas palavras!”

Vezes sem conta, era o que gritavas! Sabes que estou doente, sabes que não faço por mal, mas adoras ‘gritar-me’. No entanto, nunca me bateste. Só te faço uma pergunta: porque é que nunca me bateste? Porquê? Bate-me e deixa de gritar comigo: sabes eu não aguento mais.

Não entendo uma coisa: porquê só agora a revelação? Acredita, que se fosse hoje, nunca te teria contado que estava grávida do nosso primeiro filho. Ficaste comigo por pena e hoje quem tem pena de ti sou eu, ao ver no que tornaste. Odeio-te!

E mentes: a mim, aos outros e principalmente àqueles que me querem ajudar… Pior do que isso: obrigas-me a mentir. Mas sabes que nunca fui muito boa nisso, ou achas que a Assistente Social nos veio bater à porta para nos dizer ‘bom dia’?

Vives e consomes a minha sanidade mental numa proporção egoísta, devastadora e quase fatal.

Ridículo no que a minha vida se transformou, indigno! E a culpa é tua e dessa tua prepotência para comigo. Descansa que isto acabará em breve, dizem que a depressão nos leva a cometer loucuras, pelo que eu só estou à espera da minha. A morte será bem-vinda, embora tu não fiques agradado, pois perderás a tua vítima de todas as noites. Arranjarás mais, com certeza! Já ouvi por aí, que esse teu perfume barato, fascina muitas mulheres: és nojento!


Porquê a mim? De onde vem tanto azar na minha vida? A depressão, a morte do meu pai, a depressão, a minha separação do outro, a depressão, a morte do meu sobrinho, a depressão, tu, a depressão…! Mas vivo ou sobrevivo, melhor direi, e sabes bem porquê e por quem: os meus filhos e este que ainda está aqui, dentro de mim… Não têm culpa, mas sei que sofrem, por mim e por ti, por nós todos e eu por eles. Choro e muito, não só hoje, mas ontem e amanhã. Odeio-te!

Porque não deixaste a Assistente Social levar os nossos filhos? Porque não confessaste ou me deixaste dizer à enfermeira que temos dificuldades, que eu não tenho comida para dar aos nossos filhos, que nem sempre os levo à escola porque me faltam as forças, que a roupa que têm é dada, que tu lhes bates nas noites em que vens bêbado… Porquê? Mentiste e deixaste-me sem saída, tu adoras controlar-me, pressionar-me… Tu adoras ter duas vidas: a tua e a minha! E agora, também as dos nossos filhos…

Preciso de ajuda, mas não sei como pedir! Resta-me apenas esperar que alguém consiga ler no meu olhar o sofrimento e o desespero que alastra impiedosamente na minha vida.

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